segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Seminário sobre Rio+20 ocorre a portas fechadas na UFOPA


Por Eduardo Henrique*


Alguns devem ter ouvido falar de um “dito” seminário que ocorreu na UFOPA no último dia 19, tendo como tema principal o debate sobre a Rio+20. É muito importante que a Universidade se proponha a colocar essa discussão na pauta do dia para muitas pessoas, assim ela cumpre o seu verdadeiro papel de fomentar a discussão sobre temas relevantes à sociedade.

Porém, infelizmente, a Administração Superior da nossa Universidade não compreende dessa forma, pois quem foi ao local da discussão viu que a mesma ocorreu em uma sala, fechada à participação de estudantes e qualquer outra pessoa que não pertencesse à administração superior da instituição, ao contrário do que constava no site da própria UFOPA, que divulgou que o seminário ocorreria no auditório da Universidade, dando a entender que se realizaria aberto ao público - o que mostra, também, o descompromisso com as informações repassadas à sociedade.
Agora, respondendo à dúvida que a UFOPA deveria ter se encarregado de responder: O que é a Rio+20?

É um evento que irá reunir governantes de todo o mundo com o objetivo de discutir políticas sobre meio ambiente, de forma semelhante à ECO 92, que muitos devem conhecer. De tempos em tempos os governos se reúnem para discutir sobre o meio ambiente, contudo, com o tempo, as reuniões têm ocorrido com maior freqüência, tendo em vista o agravamento da crise ambiental que vivemos, onde catástrofes ambientais se tornam cada vez mais rotineiras nos noticiários mundiais. Para esse encontro, está na agenda de discussão mecanismos que acabem por inserir mais claramente a floresta e outros recursos naturais na lógica de mercado.

O que é essencial para esse debate é termos em mente que hoje o mundo tem boa parte de suas florestas devastadas graças à mercantilização dos recursos naturais, associada às várias empresas que degradam sem pena alguma o meio ambiente. Portanto, colocar o meio ambiente mais ainda no mercado acaba sendo um erro absurdo que só contribuirá com a crise climática e ambiental que vivemos.

O seminário teve como objetivo levar propostas das instituições da Amazônia para a construção do encontro que ocorrerá no Rio de Janeiro, no período de 15 a 30 de junho, aproximadamente. Mas uma pergunta fica no ar: por que desconsiderar, então, a opinião da sociedade santarena acerca do assunto? Por que desconsiderar a opinião de instituições e entidades que vêm construindo um debate qualificado acerca do assunto? Isso primeiramente se mostra como medo da Universidade em dialogar com a sua própria base, ou seja, a Administração mostra a completa falta de interesse em debater com estudantes, professores e funcionários, ou sequer fomentar o debate sobre algo que nos afetará diretamente, pois as decisões tomadas na Rio+20 implicarão em mudanças adotadas pelo governo brasileiro acerca do meio ambiente.

Atitudes como essa da nossa Universidade são comuns, mostrando o completo desinteresse por parte da Administração em discutir assuntos pertinentes com estudantes e ou qualquer outro setor da sociedade santarena, pois faço aqui uma pergunta: quantos lembram de algum espaço criado pela administração para dialogar com os estudantes ou com os cidadãos, esclarecer dúvidas, nos últimos seis meses? Quantos aqui sequer sabem como é o rosto do nosso reitor? Quantos aqui sabem sobre as contas da Universidade, que até hoje nunca foi prestada devidamente? Muitas perguntas surgem, hoje, a respeito da UFOPA, mas a administração se esconde em salas, nos seus debates fechados e se recusa a dar as caras e dialogar.

Mas apesar de tudo, saibam que continuamos firmes no Movimento Estudantil lutando com os movimentos sociais para que a Universidade seja democrática, que seminários ocorram abertos ao público, sem medo de discutir e construir algo novo, de forma a conscientizar a população acerca de vários assuntos que hoje permanecem obscuros.
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* Eduardo Henrique é coordenador geral do DCE-UFOPA e militante do Juntos! Juventude em luta

terça-feira, 31 de maio de 2011

Congresso Estudantil da UFOPA (CONEUFOPA)



Foi decidido em Assembléia que o DCE iria fazer o seu congresso ainda nesse primeiro semestre, e o diretório tem o grande prazer em anunciar que o congresso foi marcado para o período de 17 a 19 de junho, mantendo assim o acordo firmado com o corpo estudantil de realizar o congresso que debateria, entre outros assuntos, o estatuto da entidade e a tiragem da comissão eleitoral para homologação da próxima gestão.
É muito importe manter a entidade combativa, uma entidade que represente os seus estudantes, que seja legitimada pela sua base para manter os alicerces necessários para que as decisões sejam deliberadas e tomadas de forma que todos se sintam representados.
Desde o começo dessa gestão o DCE assumiu como a sua principal função montar o I Congresso Estudantil da UFOPA (CONEUFOPA). Mas todo um conjunto de acontecimentos dificultou muito a conclusão desse processo, a reorganização da diretoria, as reivindicações contra o modelo ao qual a UFOPA impunha à comunidade, a falta de transparência nas finanças da reitoria, o processo de perseguição sofrido por alguns estudantes, e principalmente a falta de democracia dentro da universidade foram alguns dos problemas com os quais essa gestão do DCE teve que lhe dar e ainda tem que combater . Mas nem por isso o DCE se afastou de sua função representativa, sendo debatido e votado em assembléias as propostas de manutenção e reorganização da diretoria, de forma a legitimar a gestão que hoje se encontra no diretório.
Mostra-se nesse processo o quanto o DCE está interessado na manutenção da ordem democrática onde todos sejam ouvidos, representados, dando o exemplo necessário à reitoria sobre o que deve ser feito na universidade.
Convidamos todos os estudantes da UFOPA a participarem desse processo democrático, pois todos têm vozes, todos têm de ser ouvidos nesse importante momento de construção da universidade e da entidade que nos representa.




DEMOCRACIA JÁ!



CONGRESSO ESTUDANTIL DA UFOPA- CONEUFOPA
DIAS 17, 18 E 19 DE JUNHO



Em breve estaremos divulgando maiores informações sobre o congresso


terça-feira, 24 de maio de 2011

A Luta Estudantil Não Deve Parar!




Venha participar do segundo ATO PÚBLICO do movimento estudantil em 2011 contra o aumento da tarifa de ônibus em Santarém!
Vamos dizer NÃO a esse ataque ao bolso da população.
Nenhum aumento na tarifa de ônibus!
PASSE LIVRE para todos os estudantes e desempregados do município!

Data: 25/05/2011 (Quarta-feira).
Concentração às 8 horas na Praça São Sebastião.


Para mais informações: (93) 3063-4183


Manifestação Estudantil contra Aumento da tarifa de Ônibus


Na última sexta-feira, dia 20/05/2011, o movimento estudantil santareno voltou às ruas para protestar contra o aumento no preço da tarifa de ônibus em Santarém. Mais de 100 estudantes, universitários e secundaristas, atenderam ao chamado da UES e, no horário de 18h, pararam o trânsito da Av. Rui Barbosa, a rua mais movimentada da cidade, e deram um recado à Prefeitura de Santarém: não aceitarão o aumento no preço do transporte coletivo!
A convocação para a manifestação se deu logo após o Conselho Municipal de Transporte (CMT) aprovar um novo valor para a tarifa dos coletivos: R$ 1,95; o valor da meia-estudantil foi mantido em R$ 0,65 pelos conselheiros. Tais decisões serão submetidas à apreciação da prefeita Maria do Carmo, que poderá inclusive modificar os valores indicados pelo Conselho.
Ainda que o valor da meia-estudantil seja mantido, o movimento estudantil se posiciona categoricamente contrário ao reajuste da tarifa integral. “Somos solidários aos trabalhadores de Santarém, que ganham um salário mínimo por mês (ou menos) e, portanto, terão sua renda familiar prejudicada se o aumento realmente se concretizar” - afirma Sheila Braga, diretora da UES.
Ademais, para a diretoria da UES, o congelamento da meia-passagem dos estudantes é um avanço importante, porém limitado. “Nossa luta vai além disso. Queremos passe livre para todos os estudantes de Santarém, como forma de garantir o amplo direito de ir e vir àqueles que precisam do transporte coletivo para se deslocar às suas escolas/universidades, bem como para eventos de esporte, cultura ou lazer” - defende o coordenador geral da UES, Ib Tapajós, que também denunciou a péssima qualidade do serviço prestado à população.
Nesse clima de reivindicação, os estudantes tomaram as ruas do centro de Santarém e fecharam por cerca de 30 minutos a Av. Rui Barbosa, chamando a atenção da população santarena para o aumento da tarifa, que significa um forte ataque ao bolso da classe trabalhadora.
Ao final do ato, ocorreu uma plenária estudantil, em que foram escolhidos representantes das escolas (São Francisco, Frei Ambrósio, Álvaro Adolfo, Madre Imaculada, Rodrigues) para organizarem, juntamente com a diretoria da UES, a próxima manifestação de rua contra o aumento, que se dará na quarta-feira, 25/05.

A batalha contra o aumento da passagem está apenas começando. “Estudante na rua, a luta continua!”

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A UFOPA QUE QUEREMOS


Hoje a Universidade acordou mais democrática. Não há como não se lembrar de um trecho da música "apesar de você", com autoria do glorioso Chico Buarque de Holanda e entronizada pela frase "Amanhã vai ser outro dia".

Encontramo-nos "ressaqueados" de uma grande festa, onde muitos esforços foram desprendidos, gritos, antes reprimidos, agora ecoados e o coração pela voz saciado.

Não se tratou de uma festa qualquer, mas de uma festa Democrática com D maiúsculo, onde acadêmicos, técnicos, professores e sociedade, renunciaram a concepção de universidade medieval, divorciada do debate, despida de valor e travestida meritocrática.

Enfim, conseguimos ser escutados, soubemos exigir a emancipação do pensamento e mostramos que não se pode haver "rédeas" em nossa Instituição, mas sim decisões coletivas, democráticas e socialmente referenciadas.

A revolta que antes era abafada pelo grupo dirigente da Universidade, tomou corpo e submergiu na Assembléia do dia 05/05, contagiando a tudo e a todos, derrubando, sem hesitar, qualquer tentativa perpetrada e maniqueísta de cobrir ou camuflar a realidade.

Foi posta a prova a ditadura do pensamento único e provada que suas bases não se solidificam, pois estão apoiadas no autoritarismo, na chamada pedagogia do medo e na barbárie do pensamento único.

À hora do basta chegou e se não pára o autoritarismo nós paralizaremos a Universidade! O dia 19 foi anunciado, encaminha-se uma nova etapa em nossa tão nova Universidade que logo de início foi surpreendida por velhas práticas autoritárias, tão comuns em períodos não muitos distantes de nossa história.

A resposta foi dada, contra todo um histórico de desmandos e ausência de democracia, temos três categorias unificadas, todas as vozes reunidas e um “rumo” traçado! Nem um passo a traz, nem um direito a menos! Basta! A Universidade que Queremos já! Diretas já! Democracia já!

No entanto, resta ainda uma pergunta, mas essa deixo a cargo do já anunciado Chico: Como vai se explicar. Vendo o céu clarear, de repente, Impunemente? Como vai abafar. Nosso coro a cantar, Na sua frente.”

Wallace Carneiro de Sousa

Técnico Administrativo em Educação – PROAD

Coordenador Geral do DCE

terça-feira, 3 de maio de 2011

Convocada Assembléia das três categorias: Técnicos, Estudantes e Professores.

No próximo dia 5 de maio será realizada na UFOPA a Assembléia Tripartite (das três categorias), essa Assembléia foi convocada pelos técnicos administrativos da universidade para falar com todos os membros que compõem a UFOPA sobre as questões que estamos passando, como a atual reitoria, as perseguições que são feitas a algumas pessoas. ESSA ASSEMBLÉIA SE DIRIGE A TODAS AS CATEGORIAS, PROFESSORES E ESTUDANTES são figuras essenciais nesse debate, porque embora todas as categorias tenham seus problemas em específico, é nítido que muitos problemas que acontecem hoje são galhos da árvore que possui uma raiz única, todos nós, no fundo, temos um grande problema, que é uma reitoria autoritária, e a partir disso, muitos outros surgem em cada categoria.

É importante que todos estejamos lá para sermos ouvidos, para que todos juntos possamos fazer dessa universidade aquilo que ela deve ser.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ato contra o autoritarismo pede Democracia dentro UFOPA

A UFOPA, universidade no seio da Amazônia, criada com o intuito de difundir dentro na região uma grande onda de conhecimento, e que hoje já se mostra de maneira completamente diferente daquela que havia sido pensada pelo povo da região para si próprio, devido às várias formas de perseguição e até mesmo criminalização sofridas pelos seus alunos vem reagindo de forma brava, assim como pela falta de democracia de uma instituição que foi construída em solo cabano.

Não entrando aqui na discussão sobre o acerto ou não da atitude, do momento em que se manifestaram os estudantes na Aula Magna, mas lembrando que os alunos da instituição se manifestaram, mostraram sua forma de pensar diante da realidade vivida na universidade, e isso não só desse começo de semestre, mas lembramos aqui que essa universidade já tem cerca de um ano e meio de existência. Durante a história da UFOPA podemos observar vários atos de autoritarismo, principalmente ao que desrespeito aos estudantes, que são completamente excluídos das decisões sobre a universidade, e que só são ouvidos em momentos de contestação, como foi o caso em que os estudantes conseguiram a abertura dos trabalhos da comissão estatuinte, em um ato público, mostrando aquilo que pensam, colocando na “mesa” o que a maior categoria desta universidade quer.

Desta forma, os estudantes mais uma vez, nesta sexta feira (15/04) se manifestaram contra todo processo de perseguição sofrido dentro da universidade pelo fato de os seus estudantes terem se manifestado contra o modelo de universidade imposto para a região, contra o reitor que foi colocado de forma arbitrária na universidade, ignorando todo o corpo acadêmico que já existia dentro da UFOPA. Os estudantes percorreram algumas ruas de Santarém fazendo gritos por democracia, pedindo eleições à reitoria, e também manifestando sua insatisfação contra todo e qualquer tipo de perseguição a estudantes dentro de uma instituição que deve preservar os estudantes, que deve preservar a democracia, vendo todo o processo que se viveu dentro do seio universitário no período militar, todo o processo de perseguição e àqueles que se manifestavam contra. Vimos com a queda desse nefasto período da história a ascensão da democracia, da LIBERDADE. Infelizmente o que hoje não observamos mais dentro da nossa universidade.

Após todo esse processo de enfrentamento dos estudantes com a REItoria, pró tempore muitas pessoas já “caíram”, não conseguiram se segurar em seus cargos, como foi o caso do pró-reitor de ensino, Rodrigo Ramalho, e hoje parece ser da Vice Reitora pró tempore Raimunda Monteiro, que vendo todas manifestações estudantis, decidiu “abandonar o barco ENQUANTO ele não afunda”, e isso me referindo à reitoria pró tempore, mostrando uma grande capacidade de idealizar aquilo que está à sua frente. Isso só mostra a força que o Movimento Estudantil tem dentro dessa universidade, que em momentos como esse se faz valer do fato de que universidade tem fim nos seus estudantes, que é para eles que se constrói uma universidade, e que por isso é o estudante quem mais deve se mostrar, é ele quem deve contestar aquilo que não esteja em conformidade com o que considere melhor sobre um serviço que é para o próprio acadêmico.

O DCE fica muito feliz em ver que os estudantes estão dispostos a melhorar a UFOPA cada vez mais, construindo assim a universidade que é merecida para o povo do Oeste do Pará. Desde já também agradecemos à presença de todos que ajudaram para que o Ato Público do dia 15 de março fosse uma grande passeata em prol da democracia e colocamos o DCE à disposição de todos os estudantes, sendo ele uma importante ferramenta na luta pelas melhorias dentro da universidade.


Por Eduardo Maia

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Festa Àcalourada da Diversidade

Nesse último final de semana foi realizada a festa Àcalourada da Diversidade com o intuito de dar as boas vindas aos novos acadêmicos. O evento proporcionou a produção de espaços onde os estudantes puderam relaxar e interagir entre si. Foi um grande sucesso, os estudantes se divertiram bastante ao som das bandas Darwin e seus Pitecos, Consciência Roots e Banda Agitação.
Nós do DCE ficamos muito felizes em ver a interatividade que ocorreu na festa entre todos, trabalhar para produzir espaços culturais como esses é um dos objetivos da nossa entidade, sem esquecer as lutas e propostas de melhorias dentro da Universidade.


Agradecemos à presença de todos na festa, e até a próxima.

quinta-feira, 24 de março de 2011

UM SOPRO DE DEMOCRACIA NA UFOPA

POR WALLACE SOUSA - COORDENADOR GERAL DO DCE


Um período nebuloso tomou conta da recém criada UFOPA, atitude despóticas[1] são tão comuns quanto em períodos que ainda são lembrados pela história brasileira como período negro da ditadura militar.

Episódios como REItoria que se nega a abrir diálogo com a classe estudantil organizada e até mesmo determinados setores da classe docente, desferindo ameaças e caçando com processo administrativos aqueles que ousam pensar é um inconteste cenário que por muitas vezes é encoberto por discursos vazios como “somos a favor da UFOPA” ou através de falaciosos ataques a classe estudantil como “desocupados”, “reacionários”, “difamadores da UFOPA” e outros impropérios que não cabe nesse momento catalogar.

Em meio a tudo isso, dentro de uma conjuntura de portarias que punem professores e abrem sindicância a discentes e técnicos administrativos por exercitarem o mais lídimo direito de manifestação do pensamento calcado sob o prisma constitucional do Art. 5º, IV da Constituição Federal, um sopro de democracia é ecoado na noite do dia 23/03 na Assembléia dos Docentes.

Em reunião para decidirem os rumos organizacionais da categoria, o docentes deram a mais importante aula que esta Universidade já presenciou, uma aula magna de democracia. Nesta assembléia, o presidente do SINDUFOPA[2], após ser duramente criticado por suas posições de pedir punição para o profº e filiado ao sindicato, Gilson Costa, além de sua inabilidade de conduzir uma assembléia, foi colocado “contra a parede” pela a categoria, não lhe restando outra saída, a não ser acatar o que a assembléia vociferava “pede pra sair”, “peça exoneração”, desta forma pedindo a desligação total de vínculo do SINDUFOPA, sob o argumento de que não concordaria com o apoio dado a categoria para o docente Gilson Costa e para os estudantes e técnicos que poderão ser alcançados pelas nefastas e nebulosas portarias.

Desta exemplar assembléia os professores se posicionaram contra todas as portarias de processo disciplinar publicadas pelo Magnífico Reitor Seixas Lourenço, sendo este apoio exteriorizado através de requerimento de invalidação das portarias. Posicionando-se, ainda, pela renovação dos professores estatuintes[3] em que foi deliberada a impossibilidade de professores com cargo de confiança de integrarem a comissão estatuinte[4], ficando fora desta comissão os atuais estatuintes Profª Terezinha Pacheco[5] e o Profº Clodoaldo[6], sendo este ultimo acusado de golpe a categoria pelo Profº Dr. Hélio Moreira, por se lançar ilegitimamente presidente da estatuinte em um fórum inadequado de representação.

Uma grande vitória da democracia na noite do dia 23/03 foi brindada, arriscando-me em dizer que foi apenas um prenúncio de rompimento com a escuridão e anúncio de uma não longe primavera, pois “amanhã vai ser outro dia”[7].


[1] Termo utilizado pelo profº Dr. Hélio Moreira, docente do Curso de Direito da UFOPA

[2] Sindicato dos Docentes da Universidade Federal do Oeste do Pará

[3] Representantes dos professores na comissão de criação do Estatuto da Universidade

[4] Comissão de criação do Estatuto da UFOPA

[5] Diretora de Assistência Estudantil

[6] Assessor da Reitoria

[7] Trecho da Música Apesar De Você, do cantor Chico buraque, que foi marcada pelo período da ditadura militar no Brasil Buarque,

domingo, 20 de março de 2011

CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES DA UFOPA E À SOCIEDADE SANTARENA

            É latente a ausência de democracia na Universidade Federal do Oeste do Pará, desde sua criação oficial, em outubro de 2009. O reitor da UFOPA foi indicado de maneira unilateral pelo Ministro da Educação; não temos até hoje um Conselho Universitário, formado por representantes das três categorias (estudantes, professores e técnicos); todas as decisões importantes são tomadas unicamente pelo Reitor e sua equipe – inclusive a implantação da ‘nova’ estrutura acadêmica, que inclui, dentre outros aspectos, o CFI, bacharelados interdisciplinares e licenciaturas integradas.
            Há anos o movimento estudantil e os movimentos sociais vêm tentando dialogar com o corpo dirigente da Universidade, no sentido de instaurar um processo democrático na instituição. Inclusive apresentamos um projeto alternativo para a UFOPA, intitulado “A Universidade que queremos”. Entretanto, a maioria das nossas iniciativas não obteve êxito. A Reitoria é surda aos nossos clamores e, ao invés de abrir espaços públicos de discussão, prefere se pautar em atitudes autoritárias, reprimindo e intimidando os estudantes, professores e funcionários que ousam discordar do projeto (im)posto pelos donos do poder.
            É dentro desse contexto que realizamos o ato público do dia 18 de março de 2011, durante a aula magna no Auditório do Hotel Amazônia Boulevard, conforme deliberado na Assembléia geral dos estudantes do dia 17 de março. Nossa principal bandeira levantada na ocasião foi: Democracia/Diretas já! Afinal de contas, a comunidade acadêmica tem o direito de escolher o seu reitor e de decidir qual o modelo acadêmico melhor atende aos seus anseios, dentre outras questões.
            De fato, o momento em que interrompemos a programação da Reitoria não foi o mais adequado. Aliás, não era essa a nossa intenção. Entretanto, foi o único caminho que encontramos para nos fazer ouvir, já que os membros da Administração negaram a nós o direito de falar no evento – uma atitude claramente autoritária, a exemplo de não terem convidado o DCE [entidade máxima dos estudantes da UFOPA] para compor a mesa de abertura da aula magna.
            A Universidade é, por excelência, um espaço de produção de conhecimento e debate de idéias. Portanto, não podemos admitir essa ditadura do pensamento único, em que a única voz autorizada a se manifestar é a da Reitoria. Precisamos defender a plena liberdade de expressão e o amplo debate público de todas as questões pertinentes à UFOPA. O reitor não quer isso, mas nós lutaremos sempre para que todas as vozes sejam ouvidas na nossa Universidade. Nunca nos calarão!
            Por outro lado, é importante ressaltar que a falta de diálogo da Reitoria com o movimento estudantil gera vários efeitos negativos para a vida de todos os estudantes. A ausência de uma política séria de assistência estudantil é uma prova disso. Nunca constou no Projeto oficial da UFOPA a construção de uma Casa do Estudante, para abrigar acadêmicos oriundos de outros municípios. Um Restaurante Universitário sequer é cogitado pelo Sr. Seixas Lourenço. A estrutura física da nossa Universidade – salas de aula, bibliotecas, laboratórios, etc. - deixa muito a desejar. Ademais, as inúmeras dúvidas sobre o funcionamento do CFI nunca são respondidas satisfatoriamente pela Administração (o caso do Índice de Desempenho Acadêmico – IDA é emblemático nesse sentido).
            Por isso tudo, é extremamente importante que o corpo estudantil da UFOPA esteja sempre unido, de modo a reivindicar com eficácia suas demandas fundamentais. Não podemos nos render ao discurso maquiavélico de alguns setores que tentam colocar estudantes contra estudantes. Todos nós, ‘calouros’ e ‘veteranos’, fazemos parte de uma mesma categoria: os estudantes da UFOPA. Possuímos as mesmas demandas, sofremos dos mesmos problemas, temos sonhos e aspirações parecidos. E, o que é mais importante, todos nós almejamos uma Universidade pública de qualidade, que cumpra os desafios sociais que o povo da região espera; que contribua para o verdadeiro desenvolvimento da Amazônia, produzindo um conhecimento socialmente útil para a maioria da população.
            Como dizia o grande poeta Carlos Drummond de Andrade, não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas, construir a Universidade que queremos!
            Santarém/PA, março de 2011.

Diretório Central dos Estudantes da UFOPA (DCE/UFOPA)
União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES)

domingo, 6 de março de 2011

Sobre o "novo" modelo acadêmico da UFOPA

Com um atraso de muitos e muitos dias, mas que não poderia deixar de ser postado o ótimo texto do companheiro Ib sobre o "novo" modelo acadêmico da UFOPA, que rendeu muitos comentários no blog do Jeso.


Modelo acadêmico da UFOPA: sucesso ou tragédia?

Por Ib Sales Tapajós
Ao término do dia de ontem (09 de fevereiro de 2011), um resultado desolador incomodava (e muito!) os dirigentes da recém criada Universidade Federal do Oeste do Pará: das 1.150 vagas ofertadas no primeiro processo seletivo da instituição*, apenas 25% delas foram preenchidas na habilitação - ato que precede a matrícula numa Universidade pública.
Esse resultado pífio contrasta com as manifestações ufanistas da Administração Superior da UFOPA quando da divulgação do total de inscritos para o processo seletivo 2011: 17.585 candidatos. Um número deveras elevado, que foi utilizado como argumento para defender o “sucesso” do modelo acadêmico “inovador” implementado unilateralmente pela gestão do reitor pró-tempore José Seixas Lourenço.
Veja-se nesse sentido o discurso do Prof. Rodrigo Ramalho, pró-reitor de ensino da UFOPA: “Estamos muito felizes com esse resultado. Superou todas as nossas expectativas, pois esperávamos por volta de 10 mil inscritos. Isso mostra que a Universidade já inicia tendo boa aceitação entre os estudantes, pois esses 17.585 inscreveram-se na UFOPA e não em um curso específico” (Jornal da UFOPA, Edição de Lançamento, dezembro de 2010, página 4).
Ocorre que o pequeno número de habilitados nos força a questionar o “sucesso” da estrutura acadêmica da Universidade. Tudo bem, serão realizadas outras chamadas para habilitação, na famosa “repescagem” (ainda não se sabe quantas). É possível inclusive que as 1.150 vagas sejam preenchidas. E espero que assim o seja. No entanto, no atual momento, é fundamental haver crítica e autocrítica sobre a forma como a UFOPA vem dando seus primeiros passos. Apesar de a Reitoria do Sr. Seixas não estar efetivamente aberta ao diálogo, um debate sério precisa ser travado na comunidade acadêmica e na sociedade do oeste do Pará: o atual modelo acadêmico é realmente o que queremos e precisamos?
Ao contrário do que afirma o pró-reitor de ensino, o número de inscritos no processo seletivo não guarda correspondência com a aceitação da estrutura acadêmica da UFOPA**. Prova disso é que muitos dos inscritos sequer entendiam como se dará na prática o funcionamento desse modelo. As dúvidas são constantes inclusive entre os calouros habilitados. Não foram raros os casos de estudantes recém-aprovados que indagavam pelos corredores o que teriam de fazer para chegar ao curso que desejavam.
E muitos dos que passaram a entender o funcionamento da estrutura acadêmica da UFOPA desistiram de ingressar na instituição. Isso porque compreenderam que teriam de passar por mais dois processos de disputa de vagas dentro da própria Universidade para poder chegar ao curso almejado.
Para ser mais claro: se o candidato X é aprovado na UFOPA e no mesmo período consegue bolsa integral numa instituição privada através do PROUNI, ele tenderá a optar por esta última, uma vez que, na UFOPA, a vaga no curso almejado não estaria garantida. O mesmo raciocínio é perfeitamente cabível para o estudante que obteve sucesso no processo seletivo da UFOPA e no de outra universidade, federal ou estadual.
E qual o motivo dessa “fuga”? Medo do “novo”? Com certeza não. A causa central é a competição dentro da Universidade. O estudante que deseja ingressar no ensino superior precisa de um grande período de preparação, tanto para os vestibulares quanto para o ENEM. Período que, via de regra, é desgastante, estressante e, para alguns, até traumático. O grande problema é que na UFOPA há um “vestibular” prolongado, que se dá na passagem do CFI para o instituto e na passagem deste para o curso de graduação. Nem todos estão dispostos a passar por isso novamente. Por isso a UFOPA é a última opção de boa parte dos vestibulandos.
Diante dessa realidade inquestionável, os dirigentes da nossa Universidade do Oeste insistem no discurso da “meritocracia”, afirmando que a competição é importante e saudável. Pode até ser, mas na lógica do mercado, e não na lógica de uma universidade pública federal. Nesta, o objetivo central é a produção e difusão de um conhecimento crítico e voltado para o atendimento das necessidades da população. Os acadêmicos têm de ser colegas, e não adversários; precisam caminhar juntos na construção do conhecimento, e não ficar disputando quem vai tirar a melhor nota – infelizmente é isto que vai ocorrer com o atual modelo acadêmico-curricular. A lógica “meritocrática” aplicada na Universidade terá, indubitavelmente, um efeito catastrófico.
Outro fator que contribuiu para a não-habilitação de muitos candidatos aprovados é a ausência de uma política séria de assistência estudantil. Muitos dos aprovados são de outras cidades do Pará e, para estudarem na UFOPA, precisariam de recursos que hoje não são disponibilizados pela Universidade. Não temos um Restaurante Universitário (RU) e nem uma moradia estudantil (Casa do Estudante). Dessa forma, o estudante proveniente de outro município, cuja família não possuir renda considerável para mantê-lo em Santarém, fica impossibilitado de desenvolver seus estudos na UFOPA.
Tivemos conhecimento do caso de alguns estudantes que, ao serem aprovados na UFOPA, vieram para Santarém acreditando que a Universidade lhes daria um suporte material mínimo. Após conhecerem a realidade, acabaram desistindo e voltando para suas cidades de origem. Essa situação é triste e deveria receber atenção especial dos dirigentes da Universidade. Entretanto, a atual concepção de expansão do ensino superior adotada pelo Governo Federal, e defendida pela Reitoria da UFOPA, privilegia a quantidade de vagas criadas, em detrimento da qualidade. Em outras palavras, a expansão acontece de qualquer jeito, sem se garantir a estrutura e os recursos necessários para as vagas ofertadas.
Diante de todo esse cenário, a conclusão a que se chega é que muita coisa precisa ser repensada na UFOPA. Em especial a estrutura acadêmica, que tem de ser debatida democraticamente com a comunidade acadêmica e com a sociedade em geral. O atual sistema autocrático de gestão da Universidade, em que o Reitor decide sobre tudo e sobre todos, dá sinais claros de falência e precisa urgentemente ser substituído por um sistema democrático e participativo, onde todos tenham voz e vez e possam contribuir na definição dos rumos da instituição.
Caso contrário, estaremos desperdiçando o enorme potencial da Universidade Federal do Oeste do Pará. E é muito fácil prever as conseqüências negativas disso, já que a UFOPA é o principal projeto de desenvolvimento social em execução na região nos últimos anos. Mas para que ela efetivamente cumpra seu papel protagonista na região, muita coisa precisa mudar. Eis o nosso grande desafio: (re) construir uma Universidade no interior da Amazônia.
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Ib Sales Tapajós é acadêmico de Direito da UFOPA, militante do coletivo estudantil Romper o Dia! e coordenador geral da União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES).
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* Além das 1150 vagas ofertadas no processo seletivo 2011, que utilizou as notas do ENEM, foram reservadas 50 vagas para candidatos indígenas, a serem preenchidas através de processo seletivo especial.
** Na estrutura acadêmica da UFOPA, o estudante ingressa inicialmente no ciclo de formação interdisciplinar, com disciplinas comuns a todos os 1.200 alunos; posteriormente, segue para algum instituto; e por fim chega num curso de graduação. É importante destacar que haverá uma competição interna para se passar de uma fase à outra: os acadêmicos serão classificados de acordo com o índice de desempenho acadêmico (IDA) que atingirem.

Circuito de Seminários e Debates

Acontecerá mais um módulo do circuito de seminários e debates da UES e estaremos repassando mais informações assim que forem saindo no blog da mesma: http://uesantarem.blogspot.com.
Já sabemos que será no Auditório do Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES), nos dias 13 e 14 de abril de 2011, o 3º módulo do I Circuito Universitário de Seminários e Debates, uma realização que abrange eventos em várias instituição de ensino superior de Santarém.
O 1º módulo do Circuito ocorreu em março de 2010 no CEULS/ULBRA e teve como tema A Universidade e seu papel na sociedade contemporânea; a 2ª edição (agosto de 2010) teve como local a UEPA e abordou A Universidade e os movimentos sociais.
O foco do terceiro módulo será a democratização dos meios de comunicação. A proposta é debater questões como o marco regulatório da mídia no Brasil e as alternativas de comunicação frente ao monopólio das grandes empresas.
Serão convidados para discutir o assunto o jornalista Lúcio Flávio Pinto, o professor universitário Paulo Lima, o representante do Intervozes no Pará, Sr Marcos Urupá, e representantes das empresas de comunicação do estado, dentre outros acadêmicos e profissionais ligados à área da Comunicação Social.
Além da diretoria da UES, participam da comissão organizadora do evento estudantes do curso de Jornalismo do IESPES.



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"A universidade operacional"

E eis que no remoto ano de 1999, (Ano de mais um possível fim do mundo que não veio, bug do milênio etc, lembram? Talvez prevendo o cataclisma do ensino universitário brasileiro) já se falava sobre o agora atual confronto travado em nossa Universidade!

Universidade Operacional, nós, estudantes, ousamos resistir a você!

A leitura a seguir é imersiva e impactante. Leiam, reflitam, discutam, propagem!

A fonte é: http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/dc_1_3.htm

A universidade operacional

Fabiano Accorsi - 9.dez.98/
Folha Imagem
Estudantes fazem prova do vestibular, em São Paulo, no final do ano passado

MARILENA CHAUI

A Reforma do Estado brasileiro pretende modernizar e racionalizar as atividades estatais, redefinidas e distribuídas em setores, um dos quais é designado Setor dos Serviços Não-Exclusivos do Estado, isto é, aqueles que podem ser realizados por instituições não-estatais, na qualidade de prestadoras de serviços.

O Estado pode prover tais serviços,
mas não os executa diretamente nem executa uma política reguladora dessa prestação. Nesses serviços estão incluídas a educação, a saúde,
a cultura e as utilidades públicas, entendidas como "organizações sociais" prestadoras de serviços que celebram "contratos de gestão" com o Estado.

A Reforma tem um pressuposto ideológico básico: o mercado é portador de racionalidade sociopolítica e agente principal do bem-estar da República. Esse pressuposto leva a colocar direitos sociais (como a saúde, a educação e a cultura) no setor de serviços definidos pelo mercado.

Dessa maneira, a Reforma encolhe o espaço público democrático dos direitos e amplia o espaço privado não só ali onde isso seria previsível -nas atividades ligadas à produção econômica-, mas também onde não é admissível -no campo dos direitos sociais conquistados.

A posição da universidade no setor de prestação de serviços confere um sentido bastante determinado à idéia de autonomia universitária e introduz termos como "qualidade universitária", "avaliação universitária" e "flexibilização da universidade".

De fato, a autonomia universitária se reduz à gestão de receitas e despesas, de acordo com o contrato de gestão pelo qual o Estado estabelece metas e indicadores de desempenho, que determinam a renovação ou não renovação do contrato. A autonomia significa, portanto, gerenciamento empresarial da instituição e prevê que, para cumprir as metas e alcançar os indicadores impostos pelo contrato de gestão, a universidade tem "autonomia" para "captar recursos" de outras fontes, fazendo parcerias com as empresas privadas.

A "flexibilização" é o corolário da "autonomia". Na linguagem do Ministério da Educação, "flexibilizar" significa:

1) eliminar o regime único de trabalho, o concurso público e a dedicação exclusiva, substituindo-os por "contratos flexíveis", isto é, temporários e precários;
2) simplificar os processos de compras (as licitações), a gestão financeira e a prestação de contas (sobretudo para proteção das chamadas "outras fontes de financiamento", que não pretendem se ver publicamente expostas e controladas);
3) adaptar os currículos de graduação e pós-graduação às necessidades profissionais das diferentes regiões do país, isto é, às demandas das empresas locais (aliás, é sistemática nos textos da Reforma referentes aos serviços a identificação entre "social" e "empresarial");
4) separar docência e pesquisa, deixando a primeira na universidade e deslocando a segunda para centros autônomos.

A "qualidade" é definida como competência e excelência, cujo critério é o "atendimento às necessidades de modernização da economia e desenvolvimento social"; e é medida pela produtividade, orientada por três critérios: quanto uma universidade produz, em quanto tempo produz e qual o custo do que produz.

Em outras palavras, os critérios da produtividade são quantidade, tempo e custo, que definirão os contratos de gestão. Observa-se que a pergunta pela produtividade não indaga: o que se produz, como se produz, para que ou para quem se produz, mas opera uma inversão tipicamente ideológica da qualidade em quantidade.

Observa-se também que a docência não entra na medida da produtividade e, portanto, não faz parte da qualidade universitária, o que, aliás, justifica a prática dos "contratos flexíveis".

Ora, considerando-se que a proposta da Reforma separa a universidade e o centro de pesquisa, e considerando-se que a "produtividade" orienta o contrato de gestão, cabe indagar qual haverá de ser o critério dos contratos de gestão da universidade, uma vez que não há definição de critérios para "medir" a qualidade da docência.

O léxico da Reforma é inseparável da definição da universidade como "organização social" e de sua inserção no setor de serviços não-exclusivos do Estado.

Ora, desde seu surgimento (no século 13 europeu), a universidade sempre foi uma instituição social, isto é, uma ação social, uma prática social fundada no reconhecimento público de sua legitimidade e de suas atribuições, num princípio de diferenciação, que lhe confere autonomia perante outras instituições sociais, e estruturada por ordenamentos, regras, normas e valores de reconhecimento e legitimidade internos a ela.

A legitimidade da universidade moderna fundou-se na conquista da idéia de autonomia do saber diante da religião e do Estado, portanto na idéia de um conhecimento guiado por sua própria lógica, por necessidades imanentes a ele, tanto do ponto de vista de sua invenção ou descoberta como de sua transmissão.

Por isso mesmo, a universidade européia tornou-se inseparável das idéias de formação, reflexão, criação e crítica. Com as lutas sociais e políticas dos últimos séculos, com a conquista da educação e da cultura como direitos, a universidade tornou-se também uma instituição social inseparável da idéia de democracia e de democratização do saber: seja para realizar essa idéia, seja para opor-se a ela, a instituição universitária não pôde furtar-se à referência à democracia como idéia reguladora, nem pôde furtar-se a responder, afirmativa ou negativamente, ao ideal socialista.

Que significa, então, passar da condição de instituição social à de organização social?

Uma organização difere de uma instituição por definir-se por uma outra prática social, qual seja, a de sua instrumentalidade: está referida ao conjunto de meios particulares para obtenção de um objetivo particular.

Não está referida a ações articuladas às idéias de reconhecimento externo e interno, de legitimidade interna e externa, mas a operações definidas como estratégias balizadas pelas idéias de eficácia e de sucesso no emprego de determinados meios para alcançar o objetivo particular que a define. É regida pelas idéias de gestão, planejamento, previsão, controle e êxito.

Não lhe compete discutir ou questionar sua própria existência, sua função, seu lugar no interior da luta de classes, pois isso, que para a instituição social universitária é crucial, é, para a organização, um dado de fato. Ela sabe (ou julga saber) por que, para que e onde existe.

A instituição social aspira à universalidade. A organização sabe que sua eficácia e seu sucesso dependem de sua particularidade. Isso significa que a instituição tem a sociedade como seu princípio e sua referência normativa e valorativa, enquanto a organização tem apenas a si mesma como referência, num processo de competição com outras que fixaram os mesmos objetivos particulares.

Em outras palavras, a instituição se percebe inserida na divisão social e política e busca definir uma universalidade (ou imaginária ou desejável) que lhe permita responder às contradições impostas pela divisão. Ao contrário, a organização pretende gerir seu espaço e tempo particulares aceitando como dado bruto sua inserção num dos pólos da divisão social, e seu alvo não é responder às contradições, e sim vencer a competição com seus supostos iguais.

Como foi possível passar da idéia da universidade como instituição social à sua definição como organização prestadora de serviços?
A forma atual do capitalismo se caracteriza pela fragmentação de todas as esferas da vida social, partindo da fragmentação da produção, da dispersão espacial e temporal do trabalho, da destruição dos referenciais que balizavam a identidade de classe e as formas da luta de classes.

A sociedade aparece como uma rede móvel, instável, efêmera de organizações particulares definidas por estratégias particulares e programas particulares, competindo entre si.

Sociedade e Natureza são reabsorvidas uma na outra e uma pela outra porque ambas deixaram de ser um princípio interno de estruturação e diferenciação das ações naturais e humanas para se tornarem, abstratamente, "meio ambiente"; e "meio ambiente" instável, fluido, permeado por um espaço e um tempo virtuais que nos afastam de qualquer densidade material; "meio ambiente" perigoso, ameaçador e ameaçado, que deve ser gerido, programado, planejado e controlado por estratégias de intervenção tecnológica e jogos de poder.

Por isso mesmo, a permanência de uma organização depende muito pouco de sua estrutura interna e muito mais de sua capacidade de adaptar-se celeremente a mudanças rápidas da superfície do "meio ambiente". Donde o interesse pela idéia de flexibilidade, que indica a capacidade adaptativa a mudanças contínuas e inesperadas.

A organização pertence à ordem biológica da plasticidade do comportamento adaptativo.

A passagem da universidade da condição de instituição à de organização insere-se nessa mudança geral da sociedade, sob os efeitos da nova forma do capital, e ocorreu em duas fases sucessivas, também acompanhando as sucessivas mudanças do capital. Numa primeira fase, tornou-se universidade funcional; na segunda, universidade operacional.

A universidade funcional estava voltada para a formação rápida de profissionais requisitados como mão-de-obra altamente qualificada para o mercado de trabalho.


Adaptando-se às exigências do mercado, a universidade alterou seus currículos, programas e atividades para garantir a inserção profissional dos estudantes no mercado de trabalho, separando cada vez mais docência e pesquisa.

Enquanto a universidade clássica estava voltada para o conhecimento e a universidade funcional estava voltada diretamente para o mercado de trabalho, a nova universidade ou universidade operacional, por ser uma organização, está voltada para si mesma enquanto estrutura de gestão e de arbitragem de contratos.

Regida por contratos de gestão, avaliada por índices de produtividade, calculada para ser flexível, a universidade operacional está estruturada por estratégias e programas de eficácia organizacional e, portanto, pela particularidade e instabilidade dos meios e dos objetivos.

Definida e estruturada por normas e padrões inteiramente alheios ao conhecimento e à formação intelectual, está pulverizada em microrganizações que ocupam seus docentes e curvam seus estudantes a exigências exteriores ao trabalho intelectual.

A heteronomia da universidade autônoma é visível a olho nu: o aumento insano de horas-aula, a diminuição do tempo para mestrados e doutorados, a avaliação pela quantidade de publicações, colóquios e congressos, a multiplicação de comissões e relatórios etc.

Virada para seu próprio umbigo, mas sem saber onde este se encontra, a universidade operacional opera e por isso mesmo não age. Não surpreende, então, que esse operar co-opere para sua contínua desmoralização pública e degradação interna.


Que se entende por docência e pesquisa, na universidade operacional, produtiva e flexível?

A docência é entendida como transmissão rápida de conhecimentos, consignados em manuais de fácil leitura para os estudantes, de preferência, ricos em ilustrações e com duplicata em CDs.

O recrutamento de professores é feito sem levar em consideração se dominam ou não o campo de conhecimentos de sua disciplina e as relações entre ela e outras afins -o professor é contratado ou por ser um pesquisador promissor que se dedica a algo muito especializado, ou porque, não tendo vocação para a pesquisa, aceita ser escorchado e arrochado por contratos de trabalho temporários e precários, ou melhor, "flexíveis".

A docência é pensada como habilitação rápida para graduados, que precisam entrar rapidamente num mercado de trabalho do qual serão expulsos em poucos anos, pois tornam-se, em pouco tempo, jovens obsoletos e descartáveis; ou como correia de transmissão entre pesquisadores e treino para novos pesquisadores.

Transmissão e adestramento. Desapareceu, portanto, a marca essencial da docência: a formação.

A desvalorização da docência teria significado a valorização excessiva da pesquisa? Ora, o que é a pesquisa na universidade operacional?

À fragmentação econômica, social e política, imposta pela nova forma do capitalismo, corresponde uma ideologia autonomeada pós-moderna. Essa nomenclatura pretende marcar a ruptura com as idéias clássica e ilustradas, que fizeram a modernidade. Para essa ideologia, a razão, a verdade e a história são mitos totalitários; o espaço e o tempo são sucessão efêmera e volátil de imagens velozes e a compressão dos lugares e instantes na irrealidade virtual, que apaga todo contato com o espaço-tempo enquanto estrutura do mundo; a subjetividade não é a reflexão, mas a intimidade narcísica, e a objetividade não é o conhecimento do que é exterior e diverso do sujeito, e sim um conjunto de estratégias montadas sobre jogos de linguagem, que representam jogos de pensamento.

A história do saber aparece como troca periódica de jogos de linguagem e de pensamento, isto é, como invenção e abandono de "paradigmas", sem que o conhecimento jamais toque a própria realidade. O que pode ser a pesquisa numa universidade operacional sob a ideologia pós-moderna? O que há de ser a pesquisa quando razão, verdade, história são tidas por mitos, espaço e tempo se tornaram a superfície achatada de sucessão de imagens, pensamento e linguagem se tornaram jogos, constructos contingentes cujo valor é apenas estratégico?

Numa organização, uma "pesquisa" é uma estratégia de intervenção e de controle de meios ou instrumentos para a consecução de um objetivo delimitado. Em outras palavras, uma "pesquisa" é um "survey" de problemas, dificuldades e obstáculos para a realização do objetivo, e um cálculo de meios para soluções parciais e locais para problemas e obstáculos locais.

Pesquisa, ali, não é conhecimento de alguma coisa, mas posse de instrumentos para intervir e controlar alguma coisa. Por isso mesmo, numa organização não há tempo para a reflexão, a crítica, o exame de conhecimentos instituídos, sua mudança ou sua superação. Numa organização, a atividade cognitiva não tem como nem por que realizar-se.

Em contrapartida, no jogo estratégico da competição no mercado, a organização se mantém e se firma se for capaz de propor áreas de problemas, dificuldades, obstáculos sempre novos, o que é feito pela fragmentação de antigos problemas em novíssimos microproblemas, sobre os quais o controle parece ser cada vez maior.

A fragmentação, condição de sobrevida da organização, torna-se real e propõe a especialização como estratégia principal e entende por "pesquisa" a delimitação estratégica de um campo de intervenção e controle. É evidente que a avaliação desse trabalho só pode ser feita em termos compreensíveis para uma organização, isto é, em termos de custo-benefício, pautada pela idéia de produtividade, que avalia em quanto tempo, com que custo e
quanto foi produzido.

Em suma, se por pesquisa entendermos a investigação de algo que nos lança na interrogação, que nos pede reflexão, crítica, enfrentamento com o instituído, descoberta, invenção e criação; se por pesquisa entendermos o trabalho do pensamento e da linguagem para pensar e dizer o que ainda não foi pensado nem dito; se por pesquisa entendermos uma visão compreensiva de totalidades e sínteses abertas que suscitam a interrogação e a busca; se por pesquisa entendermos uma ação civilizatória contra a barbárie social e política, então, é evidente que não há pesquisa na universidade operacional.

Essa universidade não forma e não cria pensamento, despoja a linguagem de sentido, densidade e mistério, destrói a curiosidade e a admiração que levam à descoberta do novo, anula toda pretensão de transformação histórica como ação consciente dos seres humanos em condições materialmente determinadas.